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Olhares Perdidos

Olhares perdidos
Onde todos os olhares se cruzam...

Sábado, Outubro 30, 2004



*E de repente/
todas as coisas imóveis se desenharam mais nítidas no silêncio.*

Mário Quintana


meus fantasmas...
contam-me coisas ao ouvido
são engraçados
sabem coisas que eu não sei
e dizem muito de mim...

meus fantasmas...
fazem-me companhia
encurralados entre as quatro paredes
que margeiam minha existência
eu, displicente, deixo-os ficar

meus fantasmas...
falam-me de amores que ainda não vivi
prometem futuras orgias
para amanhã ou depois de amanhã
quieta, finjo acreditar e eles parecem gostar

meus fantasmas...
gosto de falar com eles
nas madrugadas frias de inverno
quando a solidão arde em fogo de espera...

Isar Maria Silveira

Meiga

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Domingo, Outubro 24, 2004



*... ilumina-te toda com a chama
que se aproxima do teu rosto como um segredo
um relapso de brisa varrendo a alma e tão secreto
que foi eliminado de todos os compêndios*
in: Aproxima a chama do rosto : José António Gonçalves

acaricia com um sopro de certezas
as raízes das palavras adormecidas
nas páginas brancas do livro
que sabes guardado em meu peito

olha como desabrocham as letras
ao teu toque como se ele fosse o pólen
ao vento morno e perfumado da tarde
atiçando a paz dos beija-flores

lembra-te da inocência das águas
misturando-se sob a superfície
lânguida dos mares que a vista
não alcança mas sabe

convence-me sem gesto ou dizer
- mas com um sentir profundo
que os encantos murmuram em teus
ouvidos enquanto eu escrevo o teu nome

acompanha a música das asas
atravessando os portais dos calendários
para dar corpo a um grande amor
sem tempo ou espaço delimitado

então acaricia com o sopro
dos teus lábios as sementes
verdes das páginas que germinarão
em meu peito sem segredos

... e se no livro eu escrevo
e reescrevo amo-te
não é para alimentar o poema
já pronto mas apenas para ter-te
marcado aqui dentro, sempre e sempre.

(Cissa de Oliveira)

Meiga

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Domingo, Outubro 17, 2004



Dirás que sonho o dementado
sonho de um poeta
Se te digo que me vi
em outras vidas
entre claustros, pássaros,
de marfim uns barcos?
Dirás que sonho uma rainha persa
Se digo que me vi dolente e inaudita
entre amoras negras, nêsperas,
sempre-vivas?
Mas não.
Alguém gritava:
acorda, acorda VIDA.
E se te digo que estavas ao meu lado
E eloqüente e amante e de palavras ávido.
Dirás que menti?
Mas não.
Alguém gritava:
Palavras... Apenas sons e areias.
Acorda
Acorda vida.

Desconheço a Autoria

Meiga

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Sábado, Outubro 09, 2004


...Quero um pedacinho de tempo para poder descansar
esse peso do mundo que estou sentindo
em meus ombros ...
Um tempo onde não me perguntem nada, nem me peçam nada,
apenas me permitam o direito,
de dar vazão ao pranto
que venho engolindo com o café-da-manhã de todos os dias ,
enquanto visto a máscara de
olhem como sou valente e forte ....

Quero ser a criança
que pode chorar livremente
sob o beneplácito da manhã
até que me ponham no colo,
restabelecendo assim,
o equilíbrio que necessito
para dormir em paz.

Quero ser adolescente despertando para o primeiro amor ...
Quero ser a pessoa que teme o amanhã,
que se angustia
com aquilo que não ousou...
e se amedronta com o que há
ainda por realizar ...

Quero me aventurar na busca dos sonhos, sem ter que vê-los pintados
com as cores do desânimo,
ou coloridos
com as cores do impossível...
e quero poder brincar com meus sonhos como se fossem massinha
de modelar ilusões ....
lambuzar neles meus dedos,
até decidir quando precisam se desfazer ...

Quero ter companheirismo também nas horas em que tudo
parece ter se perdido, e encontrar apenas um ombro onde possa
repousar meu cansaço, um ombro que seja tão somente silencioso
e impregnado de compreensão...

Quero deixar que me invada toda a dor do mundo neste instante,
porque ela é minha, é real e é unica,
e que como tal
seja aceita e compreendida ...
mesmo que eu não a aceite e não saiba lidar com ela ...

E quero poder dizer isso desse jeito:
- ESTOU DOENDO, SIM !...
sem assustar ninguém, causando uma revolução tão grande que
meu mundo pareça ainda mais desabitado .

Daqui a pouco tudo vai parecer
diferente e novo, eu sei.
Vou secar os olhos e vou à luta outra vez
e da dor hei de ressurgir mais forte ... Porque sou noventa e nove porcento formação de matéria
que dificilmente se desintegra .

Então, por favor ...
por um momento apenas ...
neste meu pequeno momento
mais que humano,
neste meu miserável
um por cento de fragilidade,
me deixem ser igual a todo mundo .
e simplesmente chorar ... "


Maria Teresa de Oliveira Albani

Meiga

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Domingo, Outubro 03, 2004



Você já viu a lua hoje?

Meiga

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Sábado, Outubro 02, 2004



Num rasgo de saudade
Viajei no tempo
Perdi o sono
Revi os planos
Num rasgo de saudade
Viajei com o vento
Acompanhei seu canto
Revi momentos

Cantei cantigas
Dos tempos idos
Que repetiam
Não para agora
Que o tempo urge
Não para agora
Revive o sonho
Que te fez ressurgir no tempo

Abraça o tempo
Refaz o amor
Constrói castelos
E pontes e luas
Que afugentem a dor
Nos sonhos do teu castelo
A vida se faz com ardor
Não para agora
Não para agora

Espera o amor
Momentos idos
Momentos findos
São tão sós os teus momentos
As linhas de tua vida
Em que viveste com tanto amor

Aprendeste o canto
Da alma pura
Que ri e chora
Que pede e implora
Não para agora
Teu canto é vida
Teu sonho é luz
Não para agora
Que o amor é vida
E te conduz

Rita de Cácia Schon

Meiga




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