Onde todos os olhares se cruzam...
Terça-feira, Novembro 30, 2004
- Alô, quem fala?
- Eu sou a namorada de seu marido.
- Não fique surpresa e nem pense que é brincadeira...
Apesar de nunca tocá-lo nós somos muito íntimos.
Eu sou a mulher que escuta os seus lamentos e frustrações,
e apesar de nunca tocá-lo eu sou muito íntima.
Sou eu que me preocupo em mandar poemas
para que ele sinta-se feliz...
- Sou apaixonada pelo seu marido
- Por isso eu liguei para você.
Liguei para pedir que não o abandone quando
ele mais precisa de você...
Detesto saber que ele chora por se sentir abandonado
E olha que seu marido é um gato muito bonito!
Não fique preocupada, ele nunca te traiu
- Quer saber como tenho esta certeza?
- Eu sei porque sou eu quem o acompanha
madrugada afora.
Gostamos de falar de coisas boas, contamos piadas
sorrimos e às vezes, quando é preciso,
choramos juntos.
- Mas a minha intenção não é de sacaneá-la, não.
Minha intenção é pedir a você que dê mais atenção
a este homem maravilhoso que eu amo
e que, supostamente, você também deve amar.
Sei que você nem liga pra ele, não liga para as coisas dele
e, nos fins de semana, sempre inventa alguma coisa
para fugir de seus compromissos em casa.
- Não estou acusando, só estou preocupada
com a felicidade daquele que faz nosso coração
bater descompassado,
ou será que o seu parou?
- Não fique preocupada,
seu marido é meu namorado virtual
Sou apenas uma amiga mais íntima que ele pode ter
Sem ter o risco de traí-la,
pois apenas divido o tempo com ele.
O tempo que devia ser teu e você joga fora!
- Talvez eu possa entender você, mas também o entendo.
Portanto, minha amiga, se posso chamá-la assim,
Não faça o homem de meus sonhos chorar
Dedique a ele mais tempo, dê um pouco mais de carinho e atenção escreva alguma coisa bonita que ele vai adorar
Dedique um dia somente para ele,
neste dia faça tudo que ele desejar;
- Caminhe com ele de mão dadas na praia,
Escute as piadas que ele gosta de contar.
Descubra o menino escondido atrás de seu marido...
- Olhe nos olhos dele e diga que o ama...
São poucas coisas, mas fará uma diferença enorme.
Sabe como são os homens,
qualquer coisinha boba que fazemos, para eles,
significa muito...
- Trate-o com amor e respeito
e talvez eu o perca para você.
Mas ficarei feliz por saber que
o homem que amo está feliz.
(Desconheço a Autoria)
Meiga
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Sábado, Novembro 27, 2004
Quando quero falar, me calo!
Desta forma, vivo falando o que não devo.
E sem saber nunca o que não digo.
Ouve!
Ouve o rumorejar da aurora
Que chega cintilante num novo dia;
Eu - de passagem, ainda sem
Saber o que a vida me reserva!
Viver nesta esfera azul.
Neste recanto sem igual no planeta.
Nesta terra de mistérios e encantos.
Em meio a tantas flores e fauna
Com pântanos repletos de lagoas,
Animais de todas as espécies,
Aves de todas as cores.
Não ajuda!
Vivo arisca como a meiga corça,
No verdume dos pastos
Será que um dia descobrirei a certeza?
Ou vagarei, apenas
Como um galho seco
Que desce o rio,
Cometa perdido...?
Ouve!
Quando quero falar, me calo.
Leia nas entrelinhas
Do que não foi dito.
Escuta!
Minha voz é o lamento
Que chora tão longa espera,
Quando quero falar, eu calo!
Delasnieve Daspet
Meiga
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Segunda-feira, Novembro 22, 2004
Meu irmão, hoje no nosso aniversario minhas palavras são tuas.
Seja lá onde você estiver, espere por mim.
Hoje, sem você por perto eu só sei contar os dias...
Meiga
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Sexta-feira, Novembro 19, 2004
Se vieres a me amar...
Vais amar-me por mim...
Pelo que te mostro...
Não pelo que sou...
Não pela estampa...
Não por quem sou...
É assim que eu sei do amor !
Por isso nunca o acho e tenho!
Pois pra te ter,
Tenho que te ter liberto
de mim...
Terás de vir a mim
Porque teu coração te manda...
Porque todos os teus
Sentidos caminham em minha direção...
Como os meus caminham
Para os teus......!!!
Delasnieve Daspet
Meiga
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Domingo, Novembro 14, 2004
Conta a lenda que uma jovem mariposa de corpo
frágil e alma sensível - voava ao sabor do vento certa
tarde, quando viu uma estrela muito brilhante, e se
apaixonou. Excitadíssima, voltou imediatamente para
casa, louca para contar à mãe que havia descoberto o
que era o amor.
- Que bobagem! - foi a resposta fria que escutou. -
As estrelas não foram feitas para que as mariposas
possam voar em torno delas. Procure um poste ou um
abajur, e se apaixone por algo assim; para isso nós
fomos criadas.
Decepcionada, a mariposa resolveu simplesmente
ignorar o comentário da mãe, e permitiu-se ficar de
novo alegre com a sua descoberta. "Que maravilha
poder sonhar!" pensava. Na noite seguinte, a
estrela continuava no mesmo lugar, e ela decidiu que
iria subir até o céu, voar em torno daquela luz
radiante, e demonstrar seu amor.
Foi muito difícil ir além da altura com a qual
estava acostumada, mas conseguiu subir alguns metros
acima do seu vôo normal. Entendeu que, se cada dia
progredisse um pouquinho, iria terminar chegando na
estrela, então armou-se de paciência e começou a tentar
vencer a distância que a
separava de seu amor. Esperava com ansiedade que a
noite descesse, e quando via os primeiros raios da
estrela, batia ansiosamente suas asas em direção ao
firmamento.
Sua mãe ficava cada vez mais furiosa:
- Estou muito decepcionada com a minha filha - dizia. -
Todas as suas irmãs, primas e sobrinhas já têm lindas
queimaduras nas asas, provocadas por lâmpadas! Só o
calor de uma lâmpada é capaz de aquecer o coração de
uma mariposa; você devia deixar de lado estes sonhos
inúteis, e arranjar um amor que possa atingir.
A jovem mariposa, irritada porque ninguém respeitava o
que sentia, resolveu sair de casa. Mas, no fundo -
como, aliás, sempre acontece - ficou marcada pelas
palavras da mãe, e achou que ela tinha razão.
Por algum tempo, tentou esquecer a estrela e apaixonar-
se pela luz dos abajures de casas suntuosas, pelas
luminárias que mostravam as cores de quadros magníficos,
pelo fogo das velas que queimavam nas mais belas
catedrais do mundo. Mas seu coração não conseguia
esquecer a estrela, e, depois de ver que a vida sem o
seu verdadeiro amor não tinha sentido,
resolveu retomar sua caminhada em direção ao céu.
Noite após noite, tentava voar o mais alto possível,
mas quando a manhã chegava, estava com o corpo
gelado e a alma mergulhada na tristeza. Entretanto,
à medida que ia ficando mais velha, passou a
prestar atenção em tudo que via à sua volta. Lá do alto,
podia enxergar as cidades cheias de luzes, onde
provavelmente suas primas, irmãs e sobrinhas já
tinham encontrado um amor. Via as montanhas geladas,
os oceanos com ondas gigantescas, as nuvens que mudavam
de forma a cada minuto. A mariposa começou a amar
cada vez mais sua estrela, porque era ela quem a
empurrava para ver um mundo tão rico e tão lindo.
Muito tempo se passou, e um belo dia ela resolveu voltar
à sua casa. Foi então que soube pelos vizinhos que sua
mãe, suas irmãs, primas e sobrinhas, e todas as
mariposas que havia conhecido já tinham morrido
queimadas nas lâmpadas e nas chamas das velas,
destruídas pelo amor que julgavam fácil.
A mariposa, embora jamais tenha conseguido chegar à
sua estrela, viveu muitos anos ainda, descobrindo
toda noite algo diferente e interessante. E
compreendendo que, às vezes, os amores impossíveis
trazem muito mais alegrias e benefícios que aqueles que
estão ao alcance de nossas mãos.
Paulo Coelho
Meiga
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Sábado, Novembro 13, 2004
Sinto que meus sonhos
se desfazem
Com o correr do tempo
Vejo
que me fogem
por entre os dedos
acompanhando
o gemido do vento.
Partem tristes
comovidos, acenando
um adeus
para a magoa
que comigo vão deixando.
Flutuam como nuvens
que no horizonte
vão sumindo!
Nunca mais os verei
eu sei !
Também, ninguém mais
me verá , como antes,
sorrindo!
(Antonia Nery Vanti)
Meiga
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Quarta-feira, Novembro 03, 2004
·Se for possível, manda-me dizer:
- É lua cheia. A casa está vazia ¿
Manda-me dizer, e o paraíso
há de ficar mais perto, e mais recente
me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
tão longo como a noite. Se é verdade
que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- é lua nova ¿
e revestida de luz te volto a ver.*
· Hilda Hilst
Meiga
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