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Olhares perdidos

Olhares perdidos
Onde todos os olhares se cruzam...

Sábado, Abril 30, 2005



Conta uma lenda que, no princípio do mundo, quando Deus decidiu criar a mulher, descobriu que havia esgotado todos os materiais sólidos no homem.

Diante dessa dificuldade e depois de profunda meditação, fez o seguinte: tomou a redondeza da Lua, as curvas suaves das ondas, a terna aderência de uma planta trepadeira, o trêmulo movimento das folhas, a esbelteza da palmeira, a cor delicada das flores, o olhar amoroso da corça, a alegria do raio de sol e as gotas de pranto das nuvens, a inconstância do vento e a fidelidade do cão, a modéstia do lírio e a vaidade do pavão, a suavidade da pluma do cisne e a dureza do diamante, a doçura da pomba e a crueldade do tigre, o ardor do fogo e a frieza da neve.

Com essa mistura de ingredientes tão desiguais, criou a mulher e deu-a ao homem.
Depois de uma semana, o homem veio e lhe disse:

" - Senhor, a criatura que me destes me faz infeliz: quer toda a minha atenção, nunca me deixa sozinho, fala sem parar, chora sem motivo, diverte-se fazendo-me sofrer e estou vindo devolvê-la porque não posso viver com ela!"

" - Está bem" - respondeu Deus, e tomou a mulher de volta.
Passou outra semana, o homem voltou e lhe disse:

" - Senhor, estou muito solitário desde que devolvi a criatura que fizestes para mim.
Ela cantava e brincava ao meu lado, olhava-me com ternura e seu olhar era uma carícia, ria e seu riso era música, era formosa e suave ao tato. Devolvei-me, porque não posso viver sem ela!"

" - Está bem", disse o Criador. E a devolveu.
Mas, três dias depois, o homem voltou e disse:

" - Senhor, eu não sei. Eu não consigo explicar, mas depois de toda esta experiência com esta criatura, cheguei à conclusão que ela me causa mais problemas do que prazer. Peço-lhe, tomá-la de novo! Não consigo viver com ela!"
O Criador respondeu:

" - Mas também não pode viver sem ela."
E virou as costas para o homem e continuou o seu trabalho.
O homem desesperado disse:

" - Como vou fazer? Não consigo viver com ela e não consigo viver sem.

" - Achei que, com as tentativas, você já tivesse descoberto, respondeu Deus. Amor é um sentimento a ser aprendido: é tensão e satisfação. Desejo e hostilidade. Alegria e dor. Um não existe sem o outro. A felicidade é apenas uma parte integrante do amor. Isto é o que deve ser aprendido. O sofrimento também pertence ao amor. Este é o grande mistério do amor. A sua própria beleza e o seu próprio fardo.

Em todo o esforço que se realiza para o aprendizado do amor é preciso considerar sempre a doação e o sacrifício ao lado da satisfação e da alegria. A pessoa terá sempre que abdicar alguma coisa para possuir ou ganhar uma outra coisa. Terá que desembolsar algo para obter um bem maior e melhor para sua felicidade. É como plantar uma árvore frente a uma janela. Ganha sombra, mas perde uma parte da paisagem. Troca o silêncio pelo gorjeio da passarada ao amanhecer. É preciso considerar tudo isto quando nos dispomos a enfrentar o aprendizado do amor."


FELIZ DIA NACIONAL DA MULHER.

Meiga

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Segunda-feira, Abril 25, 2005




Quando a gente se encontra
há sons e palavras
para se expandir muito além
do que se sonha,
do que se sofre.
Há papos e poupo palavras:
há dores doídas,
dores douradas
que nos acalentam,
porque a distância
estimula chegar e chegar
mais perto.
Querer-te é real.
Encontrar-te é um sonho
e ter-te é a plena
felicidade esperada.

(Luiz de Aquino)

Meiga

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Sexta-feira, Abril 15, 2005



...guardar alguma coisa é olhá-la,
fitá-la, mirá-la, por admirá-la,
isto é,
iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é,
fazer vigília por ela,
isto é, estar por ela
ou ser por ela.

Antonio Cícero

Meiga

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Domingo, Abril 10, 2005



Tua boca mastiga teus apelos secretos
E me chama...
Eu ouço...
Ela me chama
Ainda tonta, viro-me e te vejo sempre por perto.
E minha boca...Clama teus apelos
E te chamo...Ouça...Eu te chamo...
Nunca nossas bocas se desejaram tanto...
Estar perto
Tão perto um do outro
Tão perto um do
Tão perto um
Tão perto
Tão.
Nunca como agora desejam.

Meiga

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Domingo, Abril 03, 2005



Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como o perfume casto d'açucenas!

Escreve-me! Há tanto, há tanto tempo
Que não te vejo, amor! Meu coração
Morreu já, e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!

"Amo-te!" Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então ...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...

Autora: Florbela Espanca

Meiga




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