Olhares Perdidos...



















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  • Segunda-feira, Junho 27, 2005







    Sexta-feira, Junho 17, 2005





    Outro dia, a Adriane Galisteu deu uma entrevista dizendo que os homens não querem namorar as mulheres que são símbolos sexuais. É isto mesmo.
    Quem ousa namorar a Feiticeira ou a Tiazinha?
    As mulheres não são mais para amar; nem para casar. São para "ver".

    Que nos prometem elas, com suas formas perfeitas por anabolizantes e silicones?
    Prometem-nos um prazer impossível, um orgasmo metafísico, para o qual os homens não estão preparados...

    As mulheres dançam frenéticas na TV, com bundas cada vez mais malhadas, com seios imensos, girando em cima de garrafas, enquanto os pênis-espectadores se sentem apavorados e murchos diante de tanta gostosura.
    Os machos estão com medo das "mulheres-liquidificador".
    O modelo da mulher de hoje, que nossas filhas ou irmãs almejam ser (meu Deus!), é a prostituta transcendental, a mulher-robô, a "Valentina", a "Barbarela", a máquina-de-prazer sem alma, turbinas de amor com um hiperatômico tesão.

    Que parceiros estão sendo criados para estas pós-mulheres? Não os há.
    Os "malhados", os "turbinados" geralmente são bofes-gay, filhos do mesmo narcisismo de mercado que as criou.
    Ou, então, reprodutores como o Zafir, para o Robô-Xuxa.
    A atual "revolução da vulgaridade", regada a pagode, parece "libertar" as mulheres.
    Ilusão à toa.

    A "libertação da mulher" numa sociedade escravista como a nossa deu nisso: Superobjetos. Se achando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor, carinho e dinheiro.
    São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades.
    Mas, diante delas, o homem normal tem medo.

    Elas são "areia demais para qualquer caminhãozinho".

    Por outro lado, o sistema que as criou enfraquece os homens.
    Eles vivem nervosos e fragilizados com seus pintinhos trêmulos, decadentes, a meia-bomba, ejaculando precocemente, puxando sacos, lambendo botas, engolindo sapos, sem o antigo charme "jamesbondiano" dos anos 60.
    Não há mais o grande "conquistador".
    Temos apenas os "fazendeiros de bundas" como o Huck, enquanto a maioria virou uma multidão de voyeur, babando por deusas impossíveis.

    Ah, que saudades dos tempos das bundinhas e peitinhos "normais" e "disponíveis"...
    Pois bem, com certeza a televisão tem criado "sonhos de consumo" descritos tão bem pela língua ferrenha do Jabor (eu).

    Mas ainda existem mulheres de verdade.
    Mulheres que sabem se valorizar e valorizar o que tem "dentro de casa", o seu trabalho.
    E, acima de tudo, mulheres com quem se possa discutir um gosto pela música, pela cultura, pela família, sem medo de parecer um "chato" ou um "cara metido a intelectual".
    Mulheres que sabem valorizar uma simples atitude, rara nos homens de hoje, como abrir a porta do carro para elas.
    Mulheres que adoram receber cartas, bilhetinhos (ou e-mails) românticos!!
    Escutar no som do carro, aquela fitinha velha dos Beegees ou um cd do Kenny G (parece meio breguinha)...mas é tão boooom namorar escutando estas musiquinhas tranquilas!!!

    Penso que hoje, num encontro de um "Turbinado" com uma "Saradona" o papo deve ser do tipo:
    -"meu... o meu professor falou que posso disputar o Iron Man que vou ganhar fácil!."
    -"Ah meu..o meu personal Trainner disse que estou com os glúteos bem em forma e que nunca vou precisar de plástica". E a música???
    Só se for o "último sucesso (????)" dos Travessos ou "Chama-chuva..." e o "Vai serginho"???...

    Mulheres do meu Brasil Varonil!!! Não deixem que criem estereótipos!!
    Não comprem o cinto de modelar da Feiticeira. A mulher brasileira é linda por natureza!!
    Curta seu corpo de acordo com sua idade, silicone é coisa de americana que não possui a felicidade de ter um corpo esculpido por Deus e bonito por natureza.
    E se os seus namorados e maridos pedirem para vocês "malharem" e ficarem iguais à Feiticeira, fiquem... igual a feiticeira dos seriados de Tv:

    Façam-os sumirem da sua vida!!!

    (Arnaldo Jabor)




    Domingo, Junho 12, 2005



    ******************************************
    Namorar

    Se você quer namorar de verdade,
    abra a janela e olhe o céu,
    não importa que o Sol não esteja visível,
    namore a imortalidade do seu calor.

    Se você quer namorar de verdade,
    entregue seu salto ao precipício,
    pule sem asas abertas,
    creia que é sua a energia do universo
    e vôe na vastidão do nada sei.

    Se você quer namorar de verdade,
    atravesse oceanos a nado,
    infiltre-se nas raizes da terra,
    arroje-se pelos espaços mais longínquos,
    e acredite no grito do seu coração.

    Se você quer namorar de verdade,
    jogue fora esses preconceitos,
    desista dos comportamentos mofados,
    recupere sua criança livre e namore o irreprimível.

    Se você quer namorar de verdade,
    saiba receber o olhar que encontrou sua alma,
    o perfume que lhe aqueceu as entranhas,
    as mãos que levantaram seus pés da terra
    e torne-se o combustível de todas as possibilidades.

    Se você quer namorar de verdade,
    viaje no sorriso das pontas das estrelas,
    entorne seu afeto colorido de veludo,
    faça serenatas por debaixo de todas as Luas
    e celebre cada nota dos cantos oferecidos.

    Se você quer namorar de verdade,
    viva o agora em harmonia com o todo,
    traga Deus para a festa do amor,
    convide todos os anjos para sua cama,
    carregue ventos mansos nas suas palavras
    e escolha a expressão do doce no gosto da sua boca.

    Se você quer namorar de verdade,
    tire do seu rosto essa ruga de medo,
    arranque do seu peito essa defesa covarde,
    exploda da sua mente artimanhas falsas,
    elimine da sua pele qualquer desistência sensata
    e dispa-se de todos os conceitos determinados pelo racional.

    Se você quer namorar de verdade,
    aceite os perigos das neblinas,
    medite com seu amor nas nuvens da serra,
    ouça sinos, clarins, trombetas douradas,
    e reverencie as respirações que se unem no sutil.

    Se você quer namorar de verdade,
    faça uma roda bem grande,
    coloque lá dentro o incêndio da paixão,
    traga todos os seres para sua festa
    e conte a cada irmão como se inventa o beijo.

    Se você quer namorar de verdade,
    não trace limites nem planos,
    não interfira na germinação da semente,
    não perturbe as direções escolhidas pelos ramos da sua flor,
    e faça do seu jardim um oásis azul.

    Se você quer namorar de verdade,
    arredonde seus pensamentos severos,
    permita o prazer do gemido eterno,
    despenteie as idéias pré-concebidas e
    liberte todos os seus animais irreverentes.

    Se você quer namorar de verdade,
    seja perceptível à magia do simples,
    na rua, no lago, na floresta, nas águas das fontes
    e conceda aos mestres o seu silêncio,
    ore baixinho pelos milagres do sentir e alegre-se plenamente,
    no êxtase de amar...

    Kk

    Minha homenagem aos eternos namorados.

    ********************************************



    Segunda-feira, Junho 06, 2005





    Reparaste que eu avanço
    na exata proporção do teu recuo?
    Se te mantivesses no caminho do meio
    eu não precisaria avançar
    e tampouco tu precisarias recuar...

    Reparaste que eu encho a tua taça na mesma proporção
    de que ela se me apresenta sempre vazia?
    Se ela se mantivesse à meia borda,
    por certo eu não a transbordaria...

    Reparaste que eu falo demais
    na exata medida em que tu falas de menos?
    Se ao invés de silêncio retornasses as minhas falas,
    na tua fala, o meu próprio silêncio se equilibraria ...

    Reparaste que todos os meus sins
    se contrapõem a todos os teus nãos ?
    Se houvesse alguns sins dentre os teus nãos,
    os meus próprios sins
    aprenderiam a dizer talvez e no talvez,
    os nossos sins e nãos se reconciliariam ...

    Avança um pouco para que eu consiga recuar.
    Transborda um tanto a minha taça para que eu possa esvaziar.
    Rasga de leve o teu silêncio para que eu aprenda a me calar.
    Articula algumas afirmações para que eu aprenda a me negar.
    Fica da minha altura para que eu não tenha que esticar.
    Equilibra assim os nossos pratos
    para além da nossa guerra de egos.

    E só então, em plenitude e verdade,
    eu poderei te amar ...

    Fátima Irene Pinto